No próximo dia 20 de julho será celebrado o Dia da Amizade. E foi pensando na data que me lembrei de uma conversa de alguns anos atrás.
Uma amiga querida me cutucou certa vez: “Chris, você tem muitos amigos”. Na hora, tratei de corrigi-la. Respondi que conhecia muita gente, mas que amigos mesmo eram poucos. Afinal, conhecer pessoas faz parte do ofício de jornalista. Ao longo da vida, e especialmente dos 23 anos de JB em Folhas, conversei com milhares de moradores, comerciantes, artistas e personagens dos bairros que cobrimos.
Hoje, porém, revejo aquela resposta. Continuo afirmando que conheço muita gente — ossos do ofício. Mas também confesso que tenho muitos amigos. Cada um do seu jeito.
Clarice Lispector escreveu que “amizade é matéria de salvação”. Concordo e digo mais: amizade não tem sexo, religião ou endereço. É amor em estado puro.

Existem aqueles de décadas, que resistiram ao tempo e às mudanças da vida. Nem todos vejo com a frequência que gostaria, mas continuam lá, firmes e fortes. Há os amigos que encontro pouco, mas com quem o tempo parece não passar. E existem os mais recentes, que rapidamente conquistaram um espaço especial. Afinal, amizade não se mede em anos.
Muitas dessas relações nasceram por causa do JB em Folhas e ultrapassaram as páginas do jornal.
Tem a turma do Speed Bike, com quem compartilho pedaladas, conversas e, vez ou outra, um bolo com café. Tem os garçons do Bar Joia e o grande Chico, do Belmonte, sempre pronto para ajudar.
Também existem os que carinhosamente chamo de “pontos avançados” do jornal. Um dos primeiros a receber esse distintivo foram os irmãos Bruno e Bráulio, do Mercadinho. Lembro de uma vez em que fotografava um caminhão estacionado irregularmente na Rua Conde Afonso Celso. O Bráulio se aproximou discretamente e depois confessou que ficou por perto porque achou que o motorista viria tirar satisfações. Não veio. Mas o gesto ficou guardado comigo, “no lado esquerdo do peito”, como diz a canção.
Ao longo dos anos, outros postos avançados surgiram. No Humaitá, Beth Serpa está sempre alerta para informar qualquer ocorrência no bairro. Na Gávea, Luciana Amaro adora, como costuma dizer, “bancar a foca”, apurando as novidades da região.
Há também as vizinhas que se tornaram amigas do peito. Colegas de profissão, Lísia, Gabriela e Luize formam aquele grupo de parceiras para todas as horas.
Talvez a amizade seja exatamente isso: uma rede silenciosa de confiança, generosidade e afeto. Algumas pessoas estão presentes todos os dias. Outras aparecem de tempos em tempos. Mas todas contribuem para tornar a caminhada mais leve e mais rica.
No Dia da Amizade, vou celebrar cada uma delas. Porque, olhando para trás, percebo que uma das maiores conquistas destes 23 anos de JB em Folhas não está apenas nas histórias publicadas, mas nas amizades construídas pelo caminho.
Obrigada a todos que, de alguma forma, me chamam de amiga. Tenho muito orgulho disso.




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