26 de março de 2026
RESTAURO ABRE CAMINHO PARA NOVIDADES NA EAV

Foto home: Divulgação / Michel Filho

As obras de restauração do Palacete do Parque Lage, que começaram em 2025 e têm uma primeira entrega prevista para o segundo semestre de 2026, anunciam mais do que a recuperação de um dos cartões-postais culturais do Rio.  Sinalizam também um novo fôlego para a Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), que completou 50 anos em 2025. Entre andaimes e projetos de revitalização, o momento abre espaço para repensar usos, ampliar atividades e renovar a presença da escola na vida cultural da cidade.

À frente da instituição desde março de 2025, está a diretora Tania Queiroz, que se dedica ao ensino da arte desde o final dos anos 1980 e em 1992 começou a dar aulas na EAV. Fazendo um balanço do primeiro ano, ela teve o desafio de fazer a obra sem interromper as suas atividades nesse espaço.  Para ela, o processo promoveu uma chance de fortalecer o diálogo da EAV com o público e de projetar novos caminhos para o futuro da casa. Segundo ela, o restauro do prédio histórico era aguardado há décadas pela comunidade da escola.

– Durante todo o tempo em que estudei aqui, e depois como professora e coordenadora, esperamos por esse momento. Em um primeiro momento houve a ideia de levar a Escola para outro lugar, mas entendemos que a EAV não é apenas o Palacete, mas também a área externa, o verde, e não fazia sentido tirá-la daqui — afirma a diretora.

A área onde fica a Cavalariça e a capela, que normalmente recebiam exposições, foram divididas e ajustadas para receber as salas de aula, a secretaria e a diretoria da EAV.  Os móveis foram guardados em um galpão fora. Também foi montado uma grande tenda para as aulas de pintura e gravura.

– O ajuste foi bem feito porque algumas aulas precisam de espaço aberto, por conta do cheiro das tintas e de outros materiais  – justifica Tania.

Tânia fez a mágica da multiplicação dos espaços durante a obra (Fotos: Chris Martins)

A revitalização do Palacete prevê a reorganização de alguns ambientes internos. Um dos espaços que voltará a ter destaque é o antigo quarto da cantora Gabriela Besanzoni, onde estava a Sala da Direção, restaurado com suas características históricas. O auditório, que originalmente era a sala de jantar da residência, também está sendo recuperado. Outra novidade será a reabertura da Biblioteca, onde era o salão de desenho, possibilitando que o visitante entre para pegar um livro e possa ler na área externa.

O projeto também prevê mudanças na dinâmica de serviços do Palacete. O restaurante que funcionava no interior do prédio não retornará após as obras, determinação dos órgãos de preservação como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). No seu lugar, será aberta uma pequena cantina voltada para alunos e professores, como era antigamente.

As Cavalariças ganharão um espaço cultural com uma sala de exposição, um restaurante e uma lojinha para livros de arte. A ideia é estimular a permanência do público no parque, combinando exposições, leitura e gastronomia em meio à área verde.

Além das mudanças no prédio histórico, o projeto de revitalização prevê uma segunda etapa voltada para o próprio parque, com intervenções no aquário, na gruta e no coreto dos namorados. Também está nos planos da reforma a criação de uma nova sinalização que ajude os visitantes a circular, e compreender as informações históricas do espaço.

Para atender a demanda, uma tenda foi montada na área externa

A programação cultural da escola também deve ganhar reforço. Entre as iniciativas planejadas estão o Cine Lage com suas sessões mensais de cinema, abertas ao público, atividades artísticas para crianças nos fins de semana e parcerias com instituições culturais da cidade para ocupar o parque com apresentações e experiências ao ar livre.

Com aproximadamente 700 alunos nos cursos presenciais – sendo que parte vem de outras cidades e países -, e programas on-line que ampliaram o alcance da instituição após a pandemia, a Escola de Artes Visuais mantém sua vocação de formação e experimentação artística. Com o restauro do Palacete e as novas iniciativas previstas, a expectativa é de que o espaço entre em uma nova fase, mais estruturada para receber estudantes, artistas e visitantes.

Para Tania, as transformações devem reforçar o papel do espaço como um polo cultural que une formação artística, patrimônio histórico e convivência com a natureza. 

– Todo mundo compreendeu que o desejo de permanecer no parque deveria prevalecer sobre qualquer dificuldade. E eu entendo que os alunos hoje se sentem muito bem. A gente vê que todo mundo ficou mais próximo. Eu acho que quando a gente voltar para o Palacete, esse espírito de se encontrar e de reunião vai ficar ainda maior.

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