26 de março de 2026
PELADA SOLIDÁRIA

Texto: Zé Miranda | Fotos: Acervo Pessoal

Onde fica a divisão clara entre os bairros Humaitá, Jardim Botânico e Lagoa? Há quem diga que é o Viaduto Engenheiro. Humberto Vital, que liga o Túnel Rebouças à Lagoa, ou até mesmo a Fonte da Saudade. Porém, tem também os que desenham esse limite a partir da Praça Marcos Tamoyo, onde fica um dos campos de futebol amador mais populares da Zona Sul: o “Maconhão”.

O campo em questão é palco de diversas peladas há mais de 50 anos. É tão popular que até mesmo o Centro de Informações da Prefeitura já assumiu o nome e costuma notificar a população sobre o trânsito, usando o apelido “Curva do Maconhão”. Indo ou vindo pelo túnel, os transeuntes podem, frequentemente, notar a presença de amigos e colegas, em seus coletes dry-fit coloridos, correndo pela grama sintética. O que não se nota, a princípio, é o quão tradicionais essas peladas podem ser e nem o que elas fazem pela comunidade, uma vez que a condição para usar o espaço está condicionado à doação de cestas básicas ou de leite em pó para a Obra do Berço.

Os peladeiros se unem às sextas e fazem doações para a Obra do Berço

O responsável por garantir as doações mensais através das partidas de futebol jogadas às sextas, das 19h às 21h, tem nome. Reginaldo Benjamin, porteiro do Edifício Green Park, em Botafogo. Nascido e criado em João Pessoa, na Paraíba, ele veio para o Rio de Janeiro aos 20 anos, a convite de seu tio, e logo sentiu falta de jogar seu futebol. No entanto, não demorou para fazer amigos no serviço e ouvir falar da famosa pelada do Maconhão.

– Eu cheguei em janeiro de 2000 e comecei a buscar um local para jogar futebol. Eu costumava sair do trabalho às 17h e procurava no Aterro do Flamengo e na Praia de Botafogo. Foi quando comecei a trabalhar em um prédio na Lagoa e soube do Maconhão. Eu comecei a jogar e, em dois anos, já assumi a organização – relembra “Régi”, como é conhecido.

A organização em questão é simples e eficaz. Reginaldo cobra R$ 30 dos membros do grupo de WhatsApp “Pelada de Sexta” e garante duas horas semanais de jogo, além de coletes para divisão dos times e demais itens de uso coletivo, como bola, apito e etc. Ele é o responsável por comprar os produtos necessários e levá-los à instituição. Depois das 21h, quem passar pela “Curva do Maconhão” verá os amigos desfrutando de um churrasco e uma cervejinha ao lado do campo, devidamente endorfinados.

O grupo de peladeiros, composto por um público diverso, de médicos a zeladores, arrecada cerca de R$ 400 mensais para as doações, fazendo diferença   para  a Obra do Berço,  que é voltada para a primeira infância. Reginaldo, faz questão de manter a tradição solidária de seu futebol.

– Praticar esporte com os amigos faz toda a diferença na saúde mental. Na pandemia isso ficou muito claro. Todo mundo ficou com saudade do futebol. Então já que faz bem para a gente, é bom que faça bem pros outros também. A gente fica feliz por estar ajudando o próximo – resume Régi.

A turma começou a jogar no Maconhão quando o solo ainda era de terra batida. Foi somente em 2022 que a Secretaria Municipal de Infraestrutura e a Empresa Municipal de Urbanização cuidou da renovação, colocando grama sintética e melhorando a qualidade do campo. 

Não há necessidade de jogar futebol para contribuir com a Obra do Berço. A instituição aceita doações, esporádicas ou mensais. Também é possível contribuir por meio do bazar e loja solidária da Obra e, quem quiser pode doar tempo e energia, atuando como voluntário do projeto. Basta enviar um e-mail para voluntariado@aobradobercorj.org.br e fazer a diferença. 

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