26 de março de 2026
4 PERGUNTAS PARA JOÃO GRANGEIRO DA ABBR

Desde janeiro deste ano, os pacientes dos SUS que costumam fazer tratamento terapêutico na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) vivem uma via crucis. Tudo por conta da reestruturação que a direção da instituição está promovendo para, segundo afirma, garantir sustentabilidade financeira e sair do vermelho. 

Há quatro anos, a produtora Alice Baeta Neves é atendida pela ABBR. Ela tem uma lesão medular cervical e vem acompanhando – e lutando contra as últimas decisões da instituição. Segundo ela, houve uma redução gradual dos serviços, demissões em massa e fechamento de setores como terapia ocupacional e oficinas terapêuticas. Diante desse quadro, ela buscou orientação no conselho regional e no Ministério Público, fazendo denúncias, além de organizar manifestações na frente da ABBR. 

— Alguma coisa precisa ser feita. É quase desumano esse gesto — afirma. 

O JB em Folhas conversou com João Grangeiro, diretor executivo da instituição, para entender o que está acontecendo.

JB EM FOLHAS: O que está acontecendo com a ABBR hoje?
JOÃO GRANGEIRO: A ABBR está renovando seu contrato com a prefeitura – que é quem administra o repasse do SUS -, que sempre foi deficitário. A gente recebe R$ 10 por uma consulta médica e paga R$ 120 para o médico e isso, ao longo dos anos, se tornou um problema crônico de caixa da instituição que, agora, por meio da parceria com o grupo Valsa, estamos tentando resolver.

JBemF: Por que houve redução no número de atendimentos?
JG: Eu não quero e não posso atender 20 mil pessoas por mês com esse modelo. Então decidimos que vamos fazer menos atendimentos, sem repasse, para manter um nível de qualidade sustentável. A proposta é não ficar condicionado ao repasse da Prefeitura e fazer, gratuitamente, entre 3.500 e  4.000 atendimentos por mês, o que corresponde a algo entre 450 e 500 pacientes em tratamento. É importante destacar que não são 3.500 pessoas, porque um mesmo paciente pode gerar vários atendimentos ao longo do mês.

JBemF: A ABBR vai deixar de ser filantrópica?
JG: De jeito nenhum. O DNA da instituição é atender quem precisa. O DNA é atender ao pobre, a quem necessita, mas somos nós quem vamos determinar a quantidade de atendimento. Quem paga as pessoas que estão trabalhando aqui não é o Daniel Soranz (secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro), nem o prefeito.  

JG:  JBemF: Por que pacientes estão recebendo alta ou sendo encaminhados para outros locais?
JG: A ABBR é um centro de reabilitação de média e alta complexidade. Quando o objetivo terapêutico é alcançado, o paciente é contra referenciado. Eu tinha pacientes aqui há cinco anos tratando uma dor no ombro. Isso está errado. Esse tipo de caso não precisa ser atendido na ABBR. O paciente pode ser tratado em uma clínica de família, com fisioterapia básica. A ABBR precisa estar focada em casos de média e alta complexidade.

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