Desde janeiro deste ano, os pacientes dos SUS que costumam fazer tratamento terapêutico na Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) vivem uma via crucis. Tudo por conta da reestruturação que a direção da instituição está promovendo para, segundo afirma, garantir sustentabilidade financeira e sair do vermelho.
Há quatro anos, a produtora Alice Baeta Neves é atendida pela ABBR. Ela tem uma lesão medular cervical e vem acompanhando – e lutando contra as últimas decisões da instituição. Segundo ela, houve uma redução gradual dos serviços, demissões em massa e fechamento de setores como terapia ocupacional e oficinas terapêuticas. Diante desse quadro, ela buscou orientação no conselho regional e no Ministério Público, fazendo denúncias, além de organizar manifestações na frente da ABBR.

— Alguma coisa precisa ser feita. É quase desumano esse gesto — afirma.
O JB em Folhas conversou com João Grangeiro, diretor executivo da instituição, para entender o que está acontecendo.
JB EM FOLHAS: O que está acontecendo com a ABBR hoje?
JOÃO GRANGEIRO: A ABBR está renovando seu contrato com a prefeitura – que é quem administra o repasse do SUS -, que sempre foi deficitário. A gente recebe R$ 10 por uma consulta médica e paga R$ 120 para o médico e isso, ao longo dos anos, se tornou um problema crônico de caixa da instituição que, agora, por meio da parceria com o grupo Valsa, estamos tentando resolver.
JBemF: Por que houve redução no número de atendimentos?
JG: Eu não quero e não posso atender 20 mil pessoas por mês com esse modelo. Então decidimos que vamos fazer menos atendimentos, sem repasse, para manter um nível de qualidade sustentável. A proposta é não ficar condicionado ao repasse da Prefeitura e fazer, gratuitamente, entre 3.500 e 4.000 atendimentos por mês, o que corresponde a algo entre 450 e 500 pacientes em tratamento. É importante destacar que não são 3.500 pessoas, porque um mesmo paciente pode gerar vários atendimentos ao longo do mês.
JBemF: A ABBR vai deixar de ser filantrópica?
JG: De jeito nenhum. O DNA da instituição é atender quem precisa. O DNA é atender ao pobre, a quem necessita, mas somos nós quem vamos determinar a quantidade de atendimento. Quem paga as pessoas que estão trabalhando aqui não é o Daniel Soranz (secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro), nem o prefeito.
JG: JBemF: Por que pacientes estão recebendo alta ou sendo encaminhados para outros locais?
JG: A ABBR é um centro de reabilitação de média e alta complexidade. Quando o objetivo terapêutico é alcançado, o paciente é contra referenciado. Eu tinha pacientes aqui há cinco anos tratando uma dor no ombro. Isso está errado. Esse tipo de caso não precisa ser atendido na ABBR. O paciente pode ser tratado em uma clínica de família, com fisioterapia básica. A ABBR precisa estar focada em casos de média e alta complexidade.




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