31 de outubro de 2026
A ARTE DE SE REINVENTAR

Atriz, dramaturga, diretora e produtora, Maria Eduarda de Carvalho construiu uma carreira de mais de 30 anos entre o teatro, o cinema e a televisão. Apaixonada por contar histórias, transita entre diferentes linguagens sem perder o desejo de experimentar. Com novos projetos previstos para 2027, ela também encontra no Humaitá, bairro onde mora, o prazer de uma rotina que inclui CrossFit, compras na feira e visitas à Cobal. Como ela mesma brinca, vive “andando para lá e para cá, parecendo uma maluca, cumprindo funções”.

Sua relação com a região começou muito antes de se tornar moradora. Ainda criança, Maria Eduarda já organizava apresentações teatrais nos almoços de Natal, dirigindo os primos e transformando a família em plateia. Mais tarde, foi aluna de O Tablado, no Jardim Botânico, onde encontrou sua vocação e teve Cacá Mourthé como primeira professora.

— O teatro é a minha casa. Foi no Tablado que entendi que não poderia fazer qualquer outra coisa com a minha vida. É um lugar onde tiro o sapato e fico à vontade. Preciso sempre voltar, porque me reorganizo como artista no teatro, por mais que goste muito de fazer cinema e TV — conta.

Essa inquietação artística também a levou para trás das câmeras. Um dos trabalhos mais desafiadores foi o documentário “Nós Por Todas”, que dirigiu, produziu e protagonizou ao longo de seis anos e que está prestes a entrar em circuito. A obra acompanha uma atriz prestes a interpretar Ofélia, de “Hamlet”, que entra em crise ao ensaiar o suicídio da personagem. A partir daí, questiona porque conhecemos tanto o que os outros pensam sobre a personagem, mas tão pouco sobre seus próprios desejos. A reflexão ganha força em encontros com mulheres como Martha Medeiros, Laerte, Vera Iaconelli, Olivia Araújo, Day Molina e Ítala Nandi.

O interesse por questões sociais também atravessa sua trajetória. Desde criança, quando acompanhava a mãe em manifestações políticas, Maria Eduarda aprendeu a se posicionar diante das injustiças. Hoje, essa consciência se reflete na escolha dos projetos e nas histórias que deseja contar.

Um exemplo é sua incursão pelas novelas verticais, produções de episódios curtos, desenvolvidas especialmente para as telas dos celulares. Depois de “Ser Mãe”, lançada em 2024, a artista voltou ao formato com “Minha Filha e Minha Mãe”, disponível gratuitamente no Instagram. A série aborda as expectativas e imposições sociais relacionadas à maternidade.

Bastidores da Websérie com Luckas Moura, Maria Eduarda, Théo Medon e Vittória Seixas.

— Eu amo falar sobre esse assunto, porque acho que podemos desconstruir essa ideia arraigada de maternidade e, principalmente, essa ideia de que é muito fácil para a gente trocar desejo por função. A websérie quer discutir justamente essas imposições da cultura — explica.

O trabalho teve seis indicações à 12ª edição do Rio Webfest 2026, festival internacional dedicado às séries independentes produzidas para a internet, que acontecerá entre os dias 27 e 30 de novembro, na Cidade das Artes. “Minha Filha e Minha Mãe” concorre nas categorias Melhor Websérie Brasileira, Melhor Websérie Vertical, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Roteiro e Melhor Influencer. Maria Eduarda já havia sido reconhecida no evento com “Ser Mãe”.

E os próximos desafios estão a caminho. Para 2027, Maria Eduarda prepara o espetáculo “O Que É A Vida”, ao lado de Olivia Araújo, e a série “Deixa Levar”, seu primeiro trabalho com a Netflix.

Enquanto os novos projetos não chegam, a atriz aproveita a vida de bairro. Entre seus endereços preferidos estão o Sushi do Gil, na Cobal, e o Pizza Park. Mais do que a praticidade de fazer tudo a pé, ela valoriza a tranquilidade e os vínculos construídos com a vizinhança.

— Viver aqui é o maior privilégio. Você mora em uma cidade grande e consegue não escutar o trânsito. Eu faço tudo por aqui. Adoro os restaurantes e gosto que as pessoas já me conhecem. Tem todo um carinho, né?

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