Quando as folhas caem, os galhos são podados e a vegetação se acumula pelos caminhos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, quase tudo ganha um novo destino. O que poderia virar descarte retorna à terra em forma de adubo graças ao trabalho silencioso de compostagem coordenado por Lusimar Lamarte, servidor do Ministério do Meio Ambiente e especialista em Ciência do Solo.
Há 24 anos atuando no parque, Lusimar é responsável pela gestão dos resíduos vegetais produzidos no arboreto, uma área de 57 hectares. Diariamente, ele acompanha o processamento de folhas, galhos, troncos e restos de poda que, juntos, somam cerca de 500 metros cúbicos por mês.
— É um volume muito grande. Esse material, se acumulado, equivale a dois andares de um prédio comercial. Por isso, esse trabalho de gestão de resíduos é fundamental — explica.
Desde 2010, em alinhamento às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305), Lusimar lidera o sistema de compostagem implantado no parque, responsável por reciclar cerca de 60% desse material. O processo transforma os resíduos vegetais em composto orgânico utilizado na recuperação do solo e no fortalecimento da vegetação do arboreto, reproduzindo o próprio ciclo natural da floresta.

O sistema de compostagem do JBRJ é responsável por reciclar 60% desse material.
Parte do adubo produzido também é destinada, de acordo com a disponibilidade, a escolas, instituições e moradores da região, ampliando o impacto ambiental positivo para além dos limites do parque.
Além da rotina operacional, Lusimar participa de pesquisas acadêmicas e mantém intercâmbio de conhecimento com universidades e instituições ambientais. Para ele, a compostagem vai além de uma solução técnica.
— A floresta naturalmente reaproveita tudo o que produz. A compostagem permite reproduzir esse processo, ajudando a preservar o solo, fortalecer as plantas e reduzir o impacto ambiental — resume.




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