Um breve rolé pela região já mostra que muita coisa está fora da ordem — e passando dos limites de tolerância. Há tempos deixamos de ser a antiga Chácara do Algodão, como o Horto já foi chamado, mas isso não justifica a baderna que vem tomando conta do bairro.
A desorganização está diante dos olhos. Basta olhar para cima: fios soltos ou emaranhados dominam a paisagem. Há dois anos, o prefeito lançou o “Caçador de fios”. Alguém viu? Por aqui, não passou. Olhando para frente, o pedestre disputa espaço com mesas e bares que ocupam as calçadas, empurrando a circulação para a rua. E, ao olhar para o chão, é preciso redobrar a atenção para não tropeçar em buracos.
O JB em Folhas recebe reclamações frequentes, e, nos últimos tempos, a poluição sonora lidera as queixas — quase sempre com a vista grossa da fiscalização. O Horto virou exemplo de terra sem lei: bares promovem eventos quase diários, ocupam ruas e ignoram quem precisa descansar. Carros são largados sem critério, e o respeito ao próximo fica em segundo plano. Em um caso recente, uma moradora precisou procurar o dono de um carro estacionado em sua porta enquanto ele bebia, todo pimpão, em um dos restaurantes badalados da região.
No último fim de semana, teve samba na Praça Pio XI — uma versão júnior do Último Gole, -, das 15h às 20h30. No grupo de moradores, rolaram algumas críticas pelo volume e duração, mas, ao contrário de outros casos, o evento ocorreu em espaço adequado, não afetou o trânsito e os organizadores, moradores do entorno, deram retorno e se mostraram dispostos a ajustar. Diferentemente do que ocorre em áreas como a Pacheco Leão, onde comerciantes agem como donos do espaço público, sem respeito a horários de silêncio, à passagem de pedestres, e ao trânsito dos carros.
Sou defensora de que rua ocupada com cultura é rua com menos violência, mas é preciso respeitar o próximo: avisar vizinhos, cumprir horários, pedir licença. E, nesse ponto, cabe cutucar o prefeito Eduardo Paes. É fácil liberar som alto e não fiscalizar quando se mora na Gávea Pequena, cercado de verde e sem vizinhos por perto. Prefeito, experimente a rotina de quem acorda com obra ou atravessa a madrugada com pagode — talvez algumas leis mudem mais rápido.




0 comentários