31 de julho de 2026
MUITO ALÉM DA BANDEJA

Tem profissões que ajudam a definir o jeito de ser carioca. A de garçom é uma delas. Aqui na Cidade Maravilhosa, a relação é próxima. A gente chama pelo nome; e eles conhecem nosso gosto pelo café, o colarinho ideal do chope e até o ponto certo do pão na chapa. Com o tempo, deixam de ser funcionários para se tornarem personagens da rotina.

Aqui na região não é diferente. Bares e restaurantes carregam parte da sua identidade nas pessoas que circulam entre as mesas. Alguns já se foram, outros seguem firmes no salão, e há uma nova geração que aprende que servir vai muito além de anotar pedidos. É criar vínculos e fazer o freguês se sentir em casa.

Quem viveu a Gávea em outras décadas certamente guarda na memória o Bar Hipódromo. Impossível esquecer o Lacerda, o Boi e tantos outros. Hoje, esse espírito continua vivo no Braseiro da Gávea, onde a simpatia e o bom atendimento seguem como marca registrada.

No Jardim Botânico, o Joia reúne diferentes gerações de garçons. Entre os veteranos estão Seu Luiz — responsável pelo melhor pão na chapa da região, como garantem muitos clientes — e Seu Antônio. Os dois preservam a tradição da casa. Entre os mais novos, Jocélio é o mais antigo, que está na equipe desde 2011 e assume a gerência em alguns momentos. Já o “mister simpatia” é Vinicius, de sorriso largo e carisma de sobra. No fim de agosto, ele volta para sua terra, no Ceará, levando o carinho de uma clientela que até organizou uma vaquinha para ajudá-lo nesse novo ciclo.

Mas nunca houve um garçom como Jorginho (José Jorge de Souza), do Rebouças. Ou melhor, um faz-tudo do tradicional boteco da Rua Maria Angélica. Eu o chamava de “o gatilho mais rápido do Oeste”, pela incrível habilidade de não deixar um copo vazio. Atendia as mesas, trabalhava no balcão, preparava os salgadinhos e ainda fazia entregas. Tudo ao mesmo tempo e ainda com brechas para falar do seu time, o Botafogo.

Os 45 anos de balcão cobraram seu preço e a saúde falou mais alto. Jorginho deixou o Rebouças em 2025. Coincidência ou não, o movimento daquele que talvez seja o boteco mais autêntico do Jardim Botânico também diminuiu. Não saiu apenas um funcionário, mas um personagem que ajudava a dar vida ao lugar. O mesmo acontece com o querido Chico (Francisco de Assis), do Belmonte, remanejado para a unidade do Touring. A equipe segue seus ensinamentos. Mas o Chico é o Chico.

No final, os grandes garçons entregam algo que não aparece na conta: acolhimento. Transformam o balcão em extensão da sala de casa, clientes em amigos e fazem da saideira mais um motivo para voltar.

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